Não sei se VP vai continuar ou não à frente da nossa equipa técnica na próxima época, mas uma coisa tenha por certa - é notável o carácter do homem que diz:
Isto:
"O que disse sobre Jesus fez-me pior a mim"
Retratou-se de um discurso mais duro que teve, inicialmente, para com o
treinador do Benfica. Porquê?
Não fui autêntico, provavelmente por defesa. Estava numa perspetiva
defensiva, porque os pontos de interrogação começaram logo no início e eu
fechei-me e fui reativo, reagia com agressividade. Um treinador amigo dizia-me
que amigos dele lhe comentavam que eu me tinha tornado agressivo e arrogante e
ele achou estranho. Acho que aconteceu inconscientemente, para me defender. Não
estava preparado para ser atacado por toda a gente, quase que me senti
humilhado, parece que tinha deixado de perceber de futebol. Aquele Vítor que
muitos perspetivavam que pudesse ir longe, parecia que tinha deixado de existir.
Depois percebi que as pessoas não me conhecem e passei a encarar as coisas com
naturalidade. Quando disse o que disse sobre o Jorge Jesus, não fui eu próprio e
aquilo fez-me mal. Provavelmente, fez-me pior a mim do que a ele. Nunca mais me
senti bem comigo próprio, porque não posso avaliar as pessoas e eu avaliei o
Jorge Jesus como pessoa. Não posso fazê-lo, porque não o conheço como pessoa.
Não fui correto e por isso pedi desculpa e fiquei muito melhor comigo próprio.
Vou continuar a cometer erros, mas a refletir sobre eles para que não voltem a
acontecer."

E isto:
"Se tivesse entrado com o André teria saído com ele"
A esta distância, compreende a decisão do André Villas-Boas há um ano?
O André é um portista, atenção... Daqueles portistas! Ganhou tudo, sair do
clube do coração bem por cima deve ter pesado um bocadinho. Se fez bem ou mal,
só ele o poderá dizer. Não faço ideia do que faria no lugar dele, ficava-me bem
dizer que teria ficado, mas não posso dizer. Só quando confrontados com as
situações é que percebemos. Eu decidi ficar consoante o que senti no momento,
senti que devia cá estar. É preciso que se saiba que eu vim para o FC Porto
convidado pelo FC Porto, não pelo André. Se fosse ao contrário, e isso digo-o
com certeza absoluta, se fosse o André que me tivesse convidado, se eu tivesse
entrado com ele, teria saído com ele, disso podem ter a certeza absoluta, porque
só estou na vida desta forma, não estou para aproveitar as oportunidades que
outros me criaram. Tenho uma relação de amizade com o André porque foi tudo
feito com clareza.
Por que sentiu que devia ficar?
Porque esta era a equipa que eu queria treinar, sabendo que seria uma época
muito difícil. Mas seria fácil para algum treinador do mundo? Não seria, de
certeza. Apesar de os jogadores serem os mesmos, não eram os mesmos..." (aqui)